A
construção de eco aldeias sustentáveis e possível?

Como?
Quando? Donde? Por quê?

-Tenho 53 anos de caminhada. Sou
formado em eletromecânica ,e tambem como técnico construtor, ofício que
exerço em eco e bioconstrução (construção sustentável). Os
aconteceres de mia vida levaram-me a interessar-me e participar em
práticas da que considero a verdadeira economia solidária, (que e
aquela que resgata a dignidade de ser construtores de nosso próprio
bem-estar), assumindo parte ativa em os processos de fundação de
instituições sociais, com capacidade de ser ferramentas de
transformação e melhoria das condições de vida como a Mutual e a
Cooperativa , trabalhei em projetos de estruturação social e
econômica de aldeias ou comunidades onde o reconhecimento dos
valores e capacidades endógenas convertiam-se no eixo de articulação
da produção. Transitei pelos caminhos da nossa Sul América,
emigrei, e procurei experiencias neste campo em a Europa “Latina”.
Em mia longa caminhada me desconstruí e me construí novamente, me
reconheci como terapeuta holístico, recebi terapias alternativas e
aprendi a praticá-las. Faz dois anos cheguei ao Brasil, onde fui
confrontado com uma aspiração latente: a de unir-me ou participar
no processo fundacional duma aldeia com vocação terapêutica,
organizada, aberta, não-dogmática, laica, eco consciente, e de
visão holística compartida, nos seus moradores. Porquê ?-acredito
na ideia de uma comunidade terapêutica organizada na forma de uma
eco aldeia. Porque?-acredito que o ser humano está enfermo em
diversos aspetos; que esta enfermidade se manifesta no campo social,
econômico, produtivo, educativo, e físico, este ser “enfermo”
agride e condena ao esgotamento e à morte toda a vida que o rodeia,
e para se curar ele necessita interagir duma forma vocacionada em a
própria cura, reconstruindo o relacionamento vivencial integral,
reconstruindo sua relação com o meio ambiente, reconstruindo sua
relação com o reino animal e vegetal, reconstruindo integralmente a
relação com o seu ser espiritual.

Minha vocação e minha visão não e a
de retirar-me a um “monastério” onde junto com outros mais ou
menos “iluminados” fechar-nos no dogma ou no rito. Minha vocação
é a de contribuir com o exemplo de vida possível ,integradora
,evoluída, respeitosa, confiante, autossuficiente, com lugar de
expressão para os mais vejos, e de formação para os mais novos.

Acredito, produto de meu caminhar, que
em solidão é impossível fazer de nossa vida individual uma coisa
útil objetivamente, para a tarefa enorme da cura, e assim na
necessidade de associar-nos com outras pessoas em convívio ativo
aparece consequentemente a figura da aldeia ou eco aldeia pois não
tenho outra forma de nomear a essa reunião de pessoas habitando e
convivendo sobre uma porção de terra.

Assumo o desafio de interagir com
seres em diferentes estados evolutivos com diferentes estados de
consciência, fazendo da força do amor e da pratica do amor ao
próximo e a mim mesmo as ferramentas fundamentais de convívio.

Assumo o desafio de contribuir para
conciliar a dimensão material com a dimensão espiritual.

Voltando sobre o tema da eco aldeia ou
dessa associação de pessoas, advirto que a intenção carece de
sustento se não se estabelecem a trama de convênios que determinem
os direitos, as obrigações, os compromissos e os benefícios.
Também deve-se observar a condição de sustentabilidade ecológica,
a viabilidade econômica e o serviço social.

Nossa
ideia sobre esta
aldeia es aplicar o sistema de economia solidaria proposto por Ivan
Kurtz na sua tésis
social chamada “ a comuna
restaurada” que
fundamenta a transformação
das
propriedades individuais em propriedade coletiva ou comunal, em um
processo longo de mais de 20 anos. Isto defende o direito de posse
daqueles
que vivem
cuidam
e produzem
sobre a terra que
contem a aldeia (comuna) e as fontes produtivas.

Nessa
proposta se
criam duas
figuras
legais, a Mutual que será a que reúne e administra os fundos para
comprar e equipar essa terra, ou seja, para adquirir a posse legal e
bens de capital
e uma Cooperativa que terá o compromisso contratual de reembolsar à
Mutual o capital nela investido.

De
forma que a partir dessas duas figuras legais (pessoas jurídicas)
possa, por fim, (re)surgir a terceira figura: a Comuna ou comunidade
orgânica (organizada).

A
devolução do mútuo ou dos capitais investidos será devidamente
atualizada, mas sem juros, porque, do contrário isso não seria um
mútuo. Isto de forma parcelada por longo período de tempo, de forma
que a devolução do mútuo possa servir na prática como um
complemento previdenciário privado do investidor.

Em
línea com as experiências construtivas de mia vida e de esta visão
filosófica compartida com Kurtz, proponho a aqueles que se disponham
a avançar na realidade abandonando a retórica virtual:
1) A
partir ao estudo das características da terra proposta para aldear,
em quanto a seus potenciares econômico produtivo, a morfologia do
terreno, sua condição respeito da logística, seu vinculo com o
entorno social e sua integração ao sistema ecológico, elaborar um
projeto de implantação.
2) Chamar logo à integração
do grupo de aspirantes, com uma proposta concreta, mais aberta a ser
complementada.
3) Essa proposta deve conter explicitamente a
relação a ser assumida com a propriedade.
4) Essa proposta
deve propor explicitamente a integração e relação com o
necessário capital de inversão produtiva, locativa e de
giro;
5) Essa proposta deve propor atividades econômicas e
produtivas que fazem a auto sustentabilidade.

Para
apoiar essa ideia e tirá-la do campo retórico estamos dispostos no
pessoal a um considerável aporte econômico neste fundo Mutual.

Chamamos
a quem tiver terras para povoar sustentavelmente, comunizando-as, que
as aplique, as invista, pelo seu valor coletivamente acordado, junto
conosco no fundo solidário que propomos.

Nessa forma simples os proprietários
não arriscam a propriedade que continuará sua até o reembolso
integral do investido, para, por fim ser comunal.

Esta proposta também tem lugar para
aqueles que por circunstâncias da vida desejam integrar o projeto e
não disponham de capital ou terras, mas que assumam a participação
cooperativa plena.

Feita esta exposição de propósitos,
fico a espera das necessárias perguntas e respostas de vai e vem que
surjam em vocês.

Enrique Giambiaggi .
12/07/2015 Jaraguá do sul SC.